ESTE BLOG É DESTINADO AOS ESTUDOS DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO. PARA ACOMPANHAMENTO, REVISÃO E APOIO DAS AULAS DE FILOSOFIA DA PROFESSORA ROSICLEIDE . João pessoa - PB.

APOIO 2° ANO

  TEXTO 1 - SOBRE ÉTICA

ÉTICA ARISTOTÉLICA
As virtudes
Há duas espécies de virtudes: as intelectuais e as morais. As virtudes intelectuais são o resultado do ensino, e por isso precisam de experiência e tempo; as virtudes morais são adquiridas em resultado do hábito, elas não surgem em nós por natureza, mas as adquirimos pelo exercício, como acontece com as artes:
“(…) os homens tornam-se arquitetos construindo e tocadores de lira tangendo seus instrumentos. Da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos"

“Tanto a deficiência como o excesso de exercício destróem a força; e da mesma forma, o alimento e a bebida que ultrapassam determinados limites, tanto para mais como para menos, destróem a saúde"

QUADRO DAS VIRTUDES MORAIS
Sentimento ou paixão (por natureza)
Situação em que o sentimento ou a paixão são sucitados
Vício (excesso) (por deliberação e por escolha)
Vício (falta) (por deliberação e por escolha)
Virtude (justo meio) (por deliberação e por escolha)
Prazeres
Tocar, ter ingerir
Libertinagem
Insensibilidade
Temperança
Medo
Perigo, dor
Covardia
Temeridade
Coragem
Confiança
Perigo, dor
Temeridade
Covardia
Coragem
Riqueza
Dinheiro, bens
Prodigalidade
Avareza
Liberalidade
Fama
Opinião alheia
Vaidade
Humildade
Magnificência
Honra
Opinião alheia
Vulgaridade
Vileza
Respeito próprio
Cólera
Relação com os outros
Irascibilidade
Indiferença
Gentileza
Convívio
Relação com os outros
Zombaria
Grosseria
Agudeza de espírito
Conceder prazer
Relação com os outros
Condescência
Tédio
Amizade
Vergonha
Relação de si com outros
Sem-vergonhice
Timidez
Modéstia
Sobre a boa sorte de alguém
Relação dos outros consigo
Inveja
Malevolêcia
Justa apreciação
Sobre a má sorte de alguém
Relação dos outros consigo
Malevolência
Inveja
Justa indignação

CHAUÍ, Marilena de Souza. Introdução à história da filosofia:dos pré-socráticos a Aristóteles, vol. 01. São Paulo: Brasiliense, 1994.
 
 
 
 
 
TEXTO 2 - SOBRE POLITICA

UTOPIA - Thomas Morus
 
 
A Utopia de Morus é uma ilha afastada do continente europeu, Rafael Hitlodeu não diz com convicção em que oceano ela fica, apenas diz que foi parar lá depois de embarcar numa das viagens de Américo Vespúcio, e voltou depois.2 A Ilha de Utopia, como já diz o expressão criada por Morus, abarca a sociedade ideal, inatingível, que traduz um estado de bem estar dos seres humanos.
O livro, dá significado para o termo usado como título, fazendo certo tom irônico ao descrever a ilha. A capital, Amaurotum que significa “cidade do sonho”, é banhada pelo rio Anidro, rio sem água, seus cidadãos são alopolitas “cidadãos sem cidades”, governados pelo príncipe Ademos “aquele que não tem povo”, e seus vizinhos são os Achorianos “homens sem país”.
A admiração de Thomas Morus por Platão certamente o fez ter certa inspiração para A Utopia da República. Assim como na República o livro se passa na forma de um diálogo, na Utopia Morus trabalha com a mesma questão.
Morus trabalha com questões exatas de dimensão citando que a ilha é mais larga no meio, onde mede trezentos e vinte quilômetros,3 segundo Morus todo o interior da ilha pode ser usado como porto,4 dessa maneira os barcos fluem sem nenhuma dificuldade.5
O mar por aí entra, quando então se espalha e forma uma larga baía – ainda, que, na verdade, mais se espalhe a uma vasta piscina de água serena, pois se trata de lugar que a costa circundante protege totalmente dos ventos, impedindo, assim, a formação de grandes ondas. (MORUS, 1993, p. 63).
Está ilha forma naturalmente uma península que foi conquistada pelo rei Utopos, que acabou dando nome à ilha, que anteriormente era conhecida como Abraxa,6 e que hoje “[...] talvez seja a nação mais civilizada do mundo [...]” (MORUS, 1993, p. 64).
A ilha de Utopia tem 54 cidades, estas sendo grandes e magníficas, e dentro destas todos falam a mesma língua e respeitam as mesmas leis.7 A sociedade ideal tem sempre a denominação exata, tanto no que tange a população e extensão territorial.
A Utopia corresponde-se a uma grande família,8 pelo fato de tudo que for produzido é igualmente dividido entre todos que compõem a sociedade, dessa maneira inexistem assaltantes e mendigos.9
A extrema discussão se volta para a crítica social de Morus em torno da abolição da propriedade privada. Adverte que a igualdade seria impossível com a propriedade privada, por isso nesta existe a comunhão de bens, “[...] o solo é visto como terra a ser cultivada, e não como propriedade” (MORUS, 1993, p. 65). Na República de Platão, os cidadãos adotavam um regime de comunhão de bens. Morus é considerado para alguns como sendo um dos fundadores do socialismo.
Cada casa tem uma porta principal que dá para a rua, e uma porta dos fundos que dá para o jardim. Nenhuma dessas portas é fechada a chave, abrindo-se a um simples toque e fechando automaticamente após a saída de alguém. Assim, todos podem entrar e sair, pois ali inexiste a propriedade privada. (MORUS, 1993, p. 70).
Contando registros históricos da cidade, estes cobrem um período de mil setecentos e sessenta anos, desde a conquista até os dias que segue,10 a cidade é governada por um príncipe. Esse príncipe conserva o cargo por toda a vida,11 os utopianos além de agricultores, todos aprendem determinados ofícios, dessa maneira, os utopianos são tecelões, pedreiros, oleiros e carpinteiros. As mulheres trabalham nos serviços mais leves, como a tecelagem. As casas podem abrigar um mínimo de 40 adultos, mais 2 escravos presos a terra.12 As roupas são produzidas por eles mesmos, todos se utilizam da mesma peça de roupa poucas coisas distinguem as mulheres dos homens, casados e solteiros, as roupas permitem uma grande liberdade para o corpo, deixando inteiramente à vontade, sendo tanto adequado ao verão como ao inverno.13
Na ilha de Utopia apenas seis horas são dedicadas ao trabalho, três horas de serviço pela manhã, almoço, duas horas de repouso, mais três horas de trabalho a tarde, e daí por fim a ceia, os utopianos vão para a cama às oito horas da noite, consequentemente dormem oito horas.14
Durante o tempo que resta de liberdade, é dedicado ao que quiserem fazer por bem desde que não se entreguem a ociosidade, grande parte usa esse tempo para aperfeiçoar a sua educação, pelo fato de existir muitos cursos públicos, que antes do nascer do sol já tem início, e o melhor disso é que a responsabilidade é de quem freqüenta, pois o comparecimento é voluntário.15
Consumo da alimentação é rigorosamente cuidado pelas autoridades de cada cidade, a produção acaba sendo sempre tão farta que muitas vezes são divididas entre as outras cidades.
[...] no caso do ser humano, a razão é a vaidade, a idéia de que se é melhor do que os outros quando se pode ostentar grandes propriedades e todo o tipo de luxo supérfluo. Esse tipo de coisa, porém, não acontece em Utopia. (MORUS, 1993, p. 82).
Na Utopia não usam dinheiro, apenas no caso de uma eventual necessidade.16 Existem hospitais e médicos, apesar destes serem muito pouco procurados, pois todos são incontestavelmente saudáveis. Até mesmo os mendigos são robustos e saudáveis, estes que se fazem passar por doentes para não trabalhar.17
Em Utopia ouro e prata não se produzem o mesmo sentimento de posse, ou de qualidade, que se encontram nas sociedades, são plenamente desprezíveis.
[...] usam correntes e grilhões de ouro para prender os escravos, e todos os que praticam crimes realmente graves são forçados a usar anéis de ouro nas orelhas e nos dedos, um colar de ouro no pescoço e até uma coroa de ouro na cabeça. Na verdade, fazem o possível para tornar esses metais desprezíveis. (MORUS, 1993, p. 92).
Não a espaço para as pessoas em torno do ócio, sempre a trabalho, suas vaidades dessa maneira devem ser preservadas, pois em Utopia “[...] não existem tavernas, cervejarias, bordéis, oportunidades para a sedução ou lugares propícios aos encontros secretos”. (MORUS, 1993, p. 88).
A razão nos ensina, primeiro, o amor e a reverencia diante de Deus todo-poderoso, a Quem devemos a existência e a possibilidade de alcançar a felicidade; e, em segundo lugar, ensina-nos a passar pela vida com o máximo de conforto e alegria, e a contribuir para com os nossos semelhantes tenham igual destino. (MORUS, 1993, p. 100).
Morus relata a sociedade perfeita, em uma visão mais próxima disso, assim como Campanella e o próprio Platão, todos temos a sociedade perfeita que queríamos ao menos que se efetivasse de forma a dar segurança, liberdade, respeito, que pudesse protelar por um futuro mais justo e de qualidades identificáveis com os desejos dos cidadãos.
  (texto retirado do site http://www.consciencia.org/utopia_morus_resumo

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