TEXTO 1 - SOBRE ÉTICA
ÉTICA ARISTOTÉLICA
As
virtudes
Há duas
espécies de virtudes: as intelectuais e as morais. As virtudes intelectuais são
o resultado do ensino, e por isso precisam de experiência e tempo; as virtudes
morais são adquiridas em resultado do hábito, elas não surgem em nós por
natureza, mas as adquirimos pelo exercício, como acontece com as artes:
“Tanto
a deficiência como o excesso de exercício destróem a força; e da mesma forma, o
alimento e a bebida que ultrapassam determinados limites, tanto para mais como
para menos, destróem a saúde"
QUADRO
DAS VIRTUDES MORAIS
Sentimento
ou paixão (por natureza)
|
Situação
em que o sentimento ou a paixão são sucitados
|
Vício
(excesso) (por deliberação e por escolha)
|
Vício
(falta) (por deliberação e por escolha)
|
Virtude
(justo meio) (por deliberação e por escolha)
|
Prazeres
|
Tocar,
ter ingerir
|
Libertinagem
|
Insensibilidade
|
Temperança
|
Medo
|
Perigo,
dor
|
Covardia
|
Temeridade
|
Coragem
|
Confiança
|
Perigo,
dor
|
Temeridade
|
Covardia
|
Coragem
|
Riqueza
|
Dinheiro,
bens
|
Prodigalidade
|
Avareza
|
Liberalidade
|
Fama
|
Opinião
alheia
|
Vaidade
|
Humildade
|
Magnificência
|
Honra
|
Opinião
alheia
|
Vulgaridade
|
Vileza
|
Respeito
próprio
|
Cólera
|
Relação
com os outros
|
Irascibilidade
|
Indiferença
|
Gentileza
|
Convívio
|
Relação
com os outros
|
Zombaria
|
Grosseria
|
Agudeza
de espírito
|
Conceder
prazer
|
Relação
com os outros
|
Condescência
|
Tédio
|
Amizade
|
Vergonha
|
Relação
de si com outros
|
Sem-vergonhice
|
Timidez
|
Modéstia
|
Sobre a
boa sorte de alguém
|
Relação
dos outros consigo
|
Inveja
|
Malevolêcia
|
Justa
apreciação
|
Sobre a
má sorte de alguém
|
Relação
dos outros consigo
|
Malevolência
|
Inveja
|
Justa
indignação
|
CHAUÍ,
Marilena de Souza. Introdução à história da filosofia:dos pré-socráticos a
Aristóteles, vol. 01. São Paulo: Brasiliense, 1994.
TEXTO 2 - SOBRE POLITICA
UTOPIA - Thomas Morus
A
Utopia de Morus é uma ilha afastada do continente europeu,
Rafael Hitlodeu não diz com convicção em que
oceano ela fica, apenas diz que foi parar lá depois de
embarcar numa das viagens de Américo Vespúcio, e voltou
depois.2
A Ilha de Utopia, como já diz o expressão criada por
Morus, abarca a sociedade ideal, inatingível, que traduz um
estado de bem estar dos seres humanos.
O
livro, dá significado para o termo usado como título,
fazendo certo tom irônico ao descrever a ilha. A capital,
Amaurotum que significa “cidade do sonho”, é
banhada pelo rio Anidro, rio sem água, seus cidadãos
são alopolitas “cidadãos sem cidades”,
governados pelo príncipe Ademos “aquele que não
tem povo”, e seus vizinhos são os Achorianos “homens
sem país”.
A
admiração de Thomas Morus por Platão certamente
o fez ter certa inspiração para A Utopia
da
República. Assim como na República o livro se passa na
forma de um diálogo, na Utopia Morus trabalha com a mesma
questão.
Morus
trabalha com questões exatas de dimensão citando que a
ilha é mais larga no meio, onde mede trezentos e vinte
quilômetros,3
segundo Morus todo o interior da ilha pode ser usado como porto,4
dessa maneira os barcos fluem sem nenhuma dificuldade.5
O
mar por aí entra, quando então se espalha e forma uma
larga baía – ainda, que, na verdade, mais se espalhe a
uma vasta piscina de água serena, pois se trata de lugar que a
costa circundante protege totalmente dos ventos, impedindo, assim, a
formação de grandes ondas. (MORUS, 1993, p. 63).
Está
ilha forma naturalmente uma península que foi conquistada pelo
rei Utopos, que acabou dando nome à ilha, que anteriormente
era conhecida como Abraxa,6
e que hoje “[...] talvez seja a nação mais
civilizada do mundo [...]” (MORUS, 1993, p. 64).
A
ilha de Utopia tem 54 cidades, estas sendo grandes e magníficas,
e dentro destas todos falam a mesma língua e respeitam as
mesmas leis.7
A sociedade ideal tem sempre a denominação exata, tanto
no que tange a população e extensão territorial.
A
Utopia corresponde-se a uma grande família,8
pelo fato de tudo que for produzido é igualmente dividido
entre todos que compõem a sociedade, dessa maneira inexistem
assaltantes e mendigos.9
A
extrema discussão se volta para a crítica social de
Morus em torno da abolição da propriedade privada.
Adverte que a igualdade seria impossível com a propriedade
privada, por isso nesta existe a comunhão de bens, “[...]
o solo é visto como terra a ser cultivada, e não como
propriedade” (MORUS, 1993, p. 65). Na República de
Platão, os cidadãos adotavam um regime de comunhão
de bens. Morus é considerado para alguns como sendo um dos
fundadores do socialismo.
Cada
casa tem uma porta principal que dá para a rua, e uma porta
dos fundos que dá para o jardim. Nenhuma dessas portas é
fechada a chave, abrindo-se a um simples toque e fechando
automaticamente após a saída de alguém. Assim,
todos podem entrar e sair, pois ali inexiste a propriedade privada.
(MORUS, 1993, p. 70).
Contando
registros históricos da cidade, estes cobrem um período
de mil setecentos e sessenta anos, desde a conquista até os
dias que segue,10
a cidade é governada por um príncipe. Esse príncipe
conserva o cargo por toda a vida,11
os utopianos além de agricultores, todos aprendem determinados
ofícios, dessa maneira, os utopianos são tecelões,
pedreiros, oleiros e carpinteiros. As mulheres trabalham nos serviços
mais leves, como a tecelagem. As casas podem abrigar um mínimo
de 40 adultos, mais 2 escravos presos a terra.12
As roupas são produzidas por eles mesmos, todos se utilizam da
mesma peça de roupa poucas coisas distinguem as mulheres dos
homens, casados e solteiros, as roupas permitem uma grande liberdade
para o corpo, deixando inteiramente à vontade, sendo tanto
adequado ao verão como ao inverno.13
Na
ilha de Utopia apenas seis horas são dedicadas ao trabalho,
três
horas de serviço pela manhã, almoço, duas horas
de repouso, mais três horas de trabalho a tarde, e daí
por fim a ceia, os utopianos vão para a cama às oito
horas da noite, consequentemente dormem oito horas.14
Durante
o tempo que resta de liberdade, é dedicado ao que quiserem
fazer por bem desde que não se entreguem a ociosidade, grande
parte usa esse tempo para aperfeiçoar a sua educação,
pelo fato de existir muitos cursos públicos, que antes do
nascer do sol já tem início, e o melhor disso é
que a responsabilidade é de quem freqüenta, pois o
comparecimento é voluntário.15
Consumo
da alimentação é rigorosamente cuidado pelas
autoridades de cada cidade, a produção acaba sendo
sempre tão farta que muitas vezes são divididas entre
as outras cidades.
[...]
no caso do ser humano, a razão é a vaidade, a idéia
de que se é melhor do que os outros quando se pode ostentar
grandes propriedades e todo o tipo de luxo supérfluo. Esse
tipo de coisa, porém, não acontece em Utopia. (MORUS,
1993, p. 82).
Na
Utopia não usam dinheiro, apenas no caso de uma eventual
necessidade.16
Existem hospitais e médicos, apesar destes serem muito pouco
procurados, pois todos são incontestavelmente saudáveis.
Até mesmo os mendigos são robustos e saudáveis,
estes que se fazem passar por doentes para não trabalhar.17
Em
Utopia ouro e prata não se produzem o mesmo sentimento de
posse, ou de qualidade, que se encontram nas sociedades, são
plenamente desprezíveis.
[...]
usam correntes e grilhões de ouro para prender os escravos, e
todos os que praticam crimes realmente graves são forçados
a usar anéis de ouro nas orelhas e nos dedos, um colar de ouro
no pescoço e até uma coroa de ouro na cabeça. Na
verdade, fazem o possível para tornar esses metais
desprezíveis. (MORUS, 1993, p. 92).
Não
a espaço para as pessoas em torno do ócio, sempre a
trabalho, suas vaidades dessa maneira devem ser preservadas, pois em
Utopia “[...] não existem tavernas, cervejarias,
bordéis, oportunidades para a sedução ou lugares
propícios aos encontros secretos”. (MORUS, 1993, p. 88).
A
razão nos ensina, primeiro, o amor e a reverencia diante de
Deus todo-poderoso, a Quem devemos a existência e a
possibilidade de alcançar a felicidade; e, em segundo lugar,
ensina-nos a passar pela vida com o máximo de conforto e
alegria, e a contribuir para com os nossos semelhantes tenham igual
destino. (MORUS, 1993, p. 100).
Morus
relata a sociedade perfeita, em uma visão mais próxima
disso, assim como Campanella e o próprio Platão, todos
temos a sociedade perfeita que queríamos ao menos que se
efetivasse de forma a dar segurança, liberdade, respeito, que
pudesse protelar por um futuro mais justo e de qualidades
identificáveis com os desejos dos cidadãos.
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